Olhar em todas as direções

Num de seus textos para a New Yorker, o crítico Alex Ross divide os mundos do rock, da música erudita, e do jazz em continentes diferentes, separados por oceanos, com elos na música experimental. A mesma comparação pode ser feita em relação à arte contemporânea baiana. Há também um oceano, para além do mundo das artes, que separa a Bahia soteropolitana das outras cidades. Este é um dos maiores estados do país, mas quando se fala em “Bahia”, geralmente se pensa na cultura de Salvador, apenas em uma parte dela, na verdade, como representação de um todo.

Obviamente, não é preciso pesquisar muito para descobrir que vários dos nomes baianos que conquistaram o mundo são do interior. João Gilberto, de Juazeiro; Elomar e Glauber Rocha, de Vitória da Conquista; Tom Zé, de Irará; Jorge Amado, de Itabuna. Salvador teve, de fato, grande importância na formação de todos eles; só vieram a ser tornar célebres depois de passar pela capital. A questão é que há grandes artistas produzindo no interior, e sua arte é ignorada quando se ultrapassa os limites de suas cidades.

Os poetas, prosadores, pintores, atores, cineastas e, majoritariamente, músicos, quase sempre de filiação clássica, ou ao menos tradicional, existem aos montes, estrada adentro. É bem verdade que não se trata de um mutirão de gênios injustiçados, ou de grandes mestres, em sua maioria, mas a questão é que a arte produzida por muitos deles merece tanta ou mais atenção quanto certas “obras” recebem na capital, e, consequentemente, no resto do país, na mídia, no mundo.

Tudo isto é só para falar que está acontecendo um Salão de Artes Visuais da Bahia aqui em Irecê, mas senti falta de certos artistas plásticos da região. Posto aqui alguns de meus favoritos, ressaltando que ignoro se todos tentaram participar da exposição.

Antônio Carneiro

Fernando Queiroz

Pedro Lima

Roger Lima

Nailce Barreto

Há outros ainda, que não encontrei fotos para postar, ou ainda os nomes que que participaram da exposição. Os comentários estão abertos à sugestão de mais artistas.

P.S. Como não pedi autorização para postar estas imagens, as retirarei, se assim for desejado por seus autores.

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3 pensamentos sobre “Olhar em todas as direções

  1. Isso, Raviere.

    Ter a oportunidade de travar conhecimento com artistas desconhecidos em atividade, seja lá onde produzam, é sempre uma experiência renovadora, que nos tira do conforto da lugarzinho no qual nos julgamos entendedores, sabedores, de determinada cena artística. Trabalhos interessantes esses.

  2. Gosto da ideia do salão ou da galeria exatamente por trazer à tona autores diversificados, de modo que tenhamos uma visão ampla do que se anda produzindo. Mas não há como fazer uma seleção sem excluir alguém. Esse post foi um meio de equilibrar isso um pouco mais.

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