Minimalismo Pop

Em 2009, escrevi um texto falando de minhas restrições de gosto e de minha visão das artes em geral, de modo a criticar a presepada que é boa parte da arte contemporânea. De lá pra cá, minha opinião se mantêm, reforçada por obras como A Grande Feira, Exit Through the Gift Shop, ou textos como esse.

Vejo “criadores” reclamando, por exemplo, da falta de um público amplo, de financiamento, de visibilidade e de uma crítica decente, sendo que lhes faltam obras que fluem, o que é primordial. O artista deve ser reconhecido por suas obras realizadas, acima de suas intenções. Seu mero desejo de fazer algo importante não quer dizer nada ao sujeito inocente que fica cinco segundos observando um pretensioso emaranhado de cimento e ferro, até perceber que não lhe diz nada e seguir sua vida.

Penso que os maiores exageros estejam mesmo nas ditas artes visuais, devido à facilidade de tornar seu embuste aceitável. Veja, um sujeito que tencione apresentar sua música modernosa deve saber escrever partitura ou utilizar um instrumento (incluindo a voz ou o PC); o escritor, o faz com o idioma; o cineasta precisa de uma câmera. Obviamente, a música, a literatura e o cinema não geram obras-primas aos jorros; muito raramente até. Mas ao menos sua produção em geral é compreensível; se não alimenta, diverte seu público, e o que apresentam de intragável é ínfimo, se comparados com a produção de artes visuais (que inclui também os vídeos de arte, filmagens destinadas não à sala de cinema, mas aos museus, salões e galerias).

O artista contemporâneo às vezes não domina técnica nenhuma, sequer uma teoria, mas não tem vergonha de sair pra cima e pra baixo num vestido de noiva, ou de colocar trocentos tomates para apodrecer numa mesa, e é celebrado por seus pares, como se tivessem pintado A Noite Estrelada, ou esculpido O Beijo (e como se imitar Duchamp, mais uma vez, após tantas décadas, fosse novidade).

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Não vou mais fundo. Para não dar uma de crítico amargurado, digo que fiquei mais tolerante de 2009 pra cá, especialmente no que se refere à música, e algumas formas de arte pictórica, como o minimalismo, que também exerceu sua influencia na música e na literatura, de formas diferentes.

Na década de 60, os pintores e escultores minimalistas pretendiam romper com a “arte cartesiana europeia” da forma mais extrema e completa: eliminando a forma e os conceitos por trás dela. Perceberam que a única maneira de fazer isso seria fazer o mínimo; e realizaram obras como Branco sobre brancoPreto sobre pretoBranco sobre preto, esse tipo de coisa, como se fossem o que havia de mais sofisticado e original do mundo. Ah, como era besta o minimalismo!

De qualquer forma, não deixava de ser uma técnica nova, e eis que a geração da internet apareceu com tudo, a trazendo de volta, mas com uma diferença: a técnica é usada para parodiar ou referenciar elementos ou obras da cultura pop, geralmente com mais traços que anteriormente.

É sucesso de público.

O minimalismo só fez sentido desvirtuado de seu conceito original, o de se desligar das influências externas; essa quebra com sua própria tradição foi mais interessante que a ruptura que os primeiros artistas da corrente pretendiam realizar. Como apresentado pelos artistas visuais que o fundaram, o minimalismo se baseia num conceito frágil, da ruptura a qualquer custo.

Penso que estas novas obras não alimentam, mas acho bem divertido.

             

Uma história das Copas e São Paulo X Rio, inspirada na série Paris X NY. Ia botar outras, só que minha internet anda lerda demais.

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6 pensamentos sobre “Minimalismo Pop

  1. Para a “geração y” parece que tudo pode se tornar arte e todo mundo é artista, desde que se designe assim. Mas se a lógica sempre foi a busca pela novidade (e que tinha uma coerência nas correntes artísticas europeias), o que a gente mais vê ultimamete é uma massificação dela. Banksy foi original, já os outros…
    E vá lá que Duchamp tinha suas intenções, difíceis de apreender a uma má entendedora de arte como eu, mas pessoalmente ver um aro de bicicleta em cima de um tamborete não diz nada comparada a uma obra de Dalí, tão profunda em seus detalhes. Tenho cá minhas preferências.

  2. Pois é, Ju, mas isso vem de muito antes da geração y. Começou com Duchamp mesmo. Assim, por mais que não goste, reconheço que quando ele fez o que fez, foi uma novidade chocante. Agora repetir aquilo por sucessivas gerações não me parece mais que um enfado, e assim a coisa circula. O crítico e o curador fingem que gosta, o marchand e os colecionadores fingem que vale uma fortuna. E o “artista” produz mais e mais.

    Bah, também tenho cá minhas preferências.

  3. Concordo com Juliana, “[…] ver um aro de bicicleta em cima de um tamborete não diz nada comparada a uma obra de Dalí, tão profunda em seus detalhes.” Mas como dizem: opinião é igual a umbigo, cada um tem o seu. Nessa “geração y” realmente tem lá os seus ”bons”, suas exceções.

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