Vinte Livros de Ensaios Imperdíveis (11-20)

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11 – Como Cozinhar um Lobo (Companhia das Letras) – M. F. K. Fisher

Publicado originalmente durante a Segunda Guerra Mundial, Como Cozinhar um Lobo é sobre a comida – ovos, sopas, bolos, peixes – nos tempos de escassez. Antes que me perguntem novamente, o “lobo” do título é a fome, aquela que sempre bate à nossa porta. Estes ensaios são preparados com grandes doses de informações, nacos de histórias e pitadas de receitas. Anos mais tarde, a autora ainda temperou o texto original com comentários sagazes.

12 – O Mundo Assombrado pelos Demônios (Companhia das Letras) – Carl Sagan

Muitos dos chamados divulgadores de ciência – Russel, Sacks, Jay Gould, Mlodinow, Dyson – são grandes ensaístas. Mas foi o astrônomo Carl Sagan quem mais se aproximou do cidadão comum. Além da série televisiva Cosmos, seus livros divertidos e instigantes sempre fizeram grande sucesso. Em O Mundo Assombrado pelos Demônios, seu objetivo é enterrar o analfabetismo científico e a crença cega em superstições. Ele aborda temas como bruxaria, satanismo, paranormais, OVNIs, ETs, com o olhar criterioso de uma investigação.

13 – O Livro dos Insultos (Companhia das Letras) – H. L. Mencken

Ferino e explosivo, o jornalista Henry Louis Mencken tinha aquilo que os ingleses chamam witty. Seus ensaios são de uma sagacidade embaraçosa – Mencken ataca tudo o que discorda ou lhe desagrada. No Livro dos Insultos, com ensaios, esquetes e aforismos selecionados por Ruy Castro, não importa o perfil do leitor: ele haverá de se sentir insultado de alguma maneira. Insultado, porém com inteligência; um insulto tão bem feito, que poderia ser tomado por elogio.

14 – Como Morrem os Pobres (Companhia das Letras) – George Orwell

George Orwell marcou a história da literatura com 1984 e A Revolução dos Bichos, mas também legou uma abrangente obra de não-ficção, apesar de não tão conhecida. Como Morrem os Pobres faz par com o livro Dentro da Baleia, e neles podemos descobrir a versatilidade do anglo-indiano, que fala de chá a assassinatos, de política à culinária, de jornais a lareiras, numa linguagem viciante. É impossível largar no meio um ensaio de Orwell.

15 – Contemporâneo de Mim – Daniel Piza

Piza foi um onígrafo, que é como designo quem escreve sobre tudo. Ele era imprevisível: discorre com estudo e propriedade sobre literatura, cidades, tecnologia, cinema, medicina, música, sociedade, história, política, pintura, etc., sempre com estilo, em sua linguagem aconchegante. Ele também amava futebol. No Questão de gosto está o melhor parágrafo que já li sobre Pelé. Em suas percepções, Piza encarna a elegância; em sua alegria por compartilhá-los, transverbera civilização.

16 – A Pessoa em Questão (Companhia das Letras) – Vladimir Nabokov

Sim, os quinze capítulos que compõem a famosa autobiografia de Nabokov são na verdade ensaios, originalmente publicados em revistas, numa ordem diferente. Reorganizados cronologicamente, estes proustianos mosaicos – textos vibrantes, coloridos, palpáveis – englobam seus primeiros quarenta anos de vida. Seus grandes interesses estão misturados: borboletas, trens, duelos, xadrez, idiomas, coleções, a família, poesia. Sua memória coordena a busca pelas “evidências conclusivas” de que ele existiu.

17 – Engolido pelas Labaredas (Companhia das Letras) – David Sedaris

O primeiro ensaio, sobre a histeria com higiene, induz as pessoas a sujarem a roupa com comida mastigada; outro, sobre uma visita a um necrotério, as faz cair da cama. Aquele sobre uma vizinha rabugenta causará gargalhadas que incomodarão a todos no ponto de ônibus, e não haverá nada mais embaraçoso. Por aí vai. Todos os livros de Sedaris são perigosamente engraçados; Engolido pelas Labaredas tem uma vantagem descarada sobre os outros: é o maior disponível.

18 – O Casaco de Marx (Autêntica) – Peter Stallybrass

Confesso que nutro preconceito contra o nome de Marx na capa. Nada contra a pessoa, mas contra os teóricos pedantes, os entusiastas que não o leram, e as edições chatas, abarrotadas de notas de rodapé. Mudei de opinião sobre este livro ao começar o tocante ensaio sobre uma jaqueta de beisebol que Stallybrass herdou de um amigo. E no final das contas, “O Casaco de Marx” é um texto magnífico sobre um homem, seu casaco e suas circunstâncias. A edição da Autêntica, única no mundo, ainda contém um ensaio sobre o ato de caminhar.

19 – Ficando meio Longe do Fato de Estar meio que Longe de Tudo (Companhia das Letras) – David Foster Wallace

Reportagens sobre uma feira rural, um cruzeiro e um festival de lagostas; Roger Federer; o riso; um discurso. Apesar do tema nem sempre atrativo, estes seis textos são muito interessantes. DFW é o pintor da vida pós-moderna; todos estes ensaios estão repletos de breves observações, pequenos insights, aparentemente despretensiosos, que, quando finalmente abstraídos, te derrubam da cadeira do ônibus. Como se sempre conhecêssemos estes pensamentos, sem saber formulá-los em palavras. Ovos de Colombo. Obviedades ululantes.

20 – Pulphead (Companhia das Letras) – John Jeremiah Sullivan

Sullivan sempre entra nos lugares de acesso restrito: o palco do Guns n’ Roses, uma caverna indígena, a produção de One Tree Hill, – ele fuma maconha com Bunny Wailer! (Há mais no livro). Mas não são tão poucas, as pessoas que o conseguem – e delas, quem fez uma obra tão carregada de interesse genuíno? Imagino os olhos curiosos de Sullivan perscrutando o universo. Em suas páginas não há vaidade. Não só os objetos são interessantes, mas também aquele que consegue decifrá-los.

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