Ah, esqueci de dizer que consegui colocar a promoção para meu e-book Alguma Coisa que eu Bebi ficar de graça por uma semana. Vai até sexta.

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O fim da amizade

1) No final do quadrinho Fracasso de Público, de Alex Robinson, o narrador Ed Velasquez explica como terminou sua amizade de mais de 600 páginas com Sherman Davies: “A maioria das amizades, se é que terminam afinal, terminam não por causa de um terremoto, mas da erosão”.
Box Office Poison (1996) (GN) (digital-Empire) 594

2) Em 1990, o então baterista do Nirvana Dave Grohl estava no apartamento de Kurt Cobain em Olympia, quando encontrou um violão e compôs escondido uma esta singela canção com suas primeiras impressões sobre os novos amigos, Kurt e Krist. Juntos, estavam prestes a conhecer o sucesso mundial e a vivenciar uma tragédia. A canção foi lançada pelo Foo Fighters em 2005.

Alguma coisa que eu bebi

Capa Alguma coisa que eu bebi Paulo Raviere

Publiquei um conto pela Amazon, para me inscrever em um concurso. Ele se chama Alguma coisa que eu bebi, e pode ser adquirido por R$1,99 neste link. Caso não possua um Kindle, o leitor pode baixar gratuitamente, pelo site, um programa de leitura que funciona em diversas plataformas.

Sinopse:
Ao acordar na madrugada de quinta-feira, o cientista Mendonça observa pela janela uma cena muito estranha: seu colega Menezes bebendo, fumando e desafiando a ciência.

Ficha técnica:
Autor: Paulo Raviere
Revisão de Conteúdo: José Francisco Botelho
Revisão ortográfica: Alex Simões
Capa: Rodolfo Carneiro

Uma nota sobre os ensaios de Woolf

Em 2009, li uma frase excelente de Virginia Woolf, citada no livro Para ler como um escritor, de Francine Prose:

Considerando quão comum é a doença, quão terrível é a mudança espiritual que ela traz, quão espantosos, quando as luzes da saúde se apagam, são os países ignotos que são então revelados, quais ermos e desertos da alma uma simples gripe torna visíveis, considerando os precipícios e as clareiras salpicadas de vívidas flores que são revelados por uma pequena elevação da temperatura, os antigos e obstinados carvalhos que são em nós desenraizados pelo evento da doença, considerando que caímos no poço da morte e sentimos as águas da aniquilação se fecharem sobre nossa cabeça quando, sentados na cadeira do dentista, temos um dente arrancado e, depois, ao acordarmos, voltando à superfície, pensamos nos encontrar na presença dos anjos de dos harpistas, confundindo o seu “Enxague a boca… enxague a boca” com a saudação da divindade erguendo-se do chão do paraíso para nos dar as boas vindas – quando pensamos nisso, e em muito mais, como tão frequentemente somos forçados a fazê-lo, torna-se realmente estranho que a doença não tenha encontrado o seu lugar, juntamente com o amor e a batalha e a inveja, entre os grandes temas da literatura. (Tradução: Tomaz Tadeu).

O sol e o peixeEssa longa frase, que se lê com o fôlego suspenso, é simplesmente um dos mais belos e instigantes começos de ensaios de todos os tempos. De acordo com Tomaz Tadeu: “Ficar de cama faz qualquer um pensar. Mas fazer disso literatura é coisa bem diferente. É preciso o mesmo domínio da arte que a fez escrever obras-primas como Mrs Dalloway e Ao Farol. Depois dela, talvez apenas Susan Sontag, em A doença como metáfora, tenha tentado algo semelhante”; o que, é claro, é fácil de discordar, se pensarmos em autores como Andrew Solomon ou Oliver Sacks, que construíram sólidas carreiras literárias com obras sobre doenças. Mas talvez Tadeu se refira a não especialistas, escritores que falaram da doença apenas com a experiência e a observação, unidas talvez a algum insight e ao talento (como Montaigne e seus cálculos renais), e aí sim, é difícil não concordar com ele.

Na primeira vez, não li a frase nessa tradução que cito, pois ela não existia. O ensaio era inédito em português. Tentei procurá-lo em inglês, na internet, e não o encontrei. Tentei comprá-lo em formato de livro, em alguma coleção, talvez, mas o frete sempre era um absurdo. “On being ill” por muito tempo foi meu sonho borgiano. Os livros importados de ensaios de Woolf que encontrei por um bom preço continham textos maravilhosos como “The death of the moth”, que traduzi exatamente por existir essa lacuna no Brasil.

Em 2011, quando eu já fazia meu mestrado sobre ensaísmo inglês, uma colega jactou-se de possuir tudo de Virginia Woolf. Meus olhos brilharam com as possibilidades. Naquele ano, os únicos livros de ensaios de Woolf disponíveis no Brasil, creio, eram O Leitor Comum, Cenas Londrinas e algumas traduções de “A room of one’s own”. Depois de pedir os ensaios emprestados, minha colega se corrigiu, pois possuía toda a ficção de Woolf. Ah, a ficção é fácil._o_valor_do riso

Pois agora, em 2015, posso dizer que finalmente estamos servidos não apenas com uma, mas com duas traduções de “On being ill”. A primeira saiu ano passado, em O Valor do Riso, pela Cosac Naify, a mais rica, variada e abrangente coleção de ensaios de Woolf, incluindo “A Morte da Mariposa”, e alguns ensaios já publicados em O Leitor Comum. A outra saiu esses dias num volume lindíssimo chamado O Sol e o Peixe, pela Autêntica, uma coleção de ensaios mais, digamos assim, poéticos da inglesa, a que cito acima. E minha diversão agora é comparar as traduções, o que eu tenho em inglês, minha tradução, tudo. Finalizo esta nota com mais uma citação de ensaio dela, só para provar pra você como eles são bons:

A batida do ritmo na mente aparenta-se à batida do pulso em nosso corpo; e assim, apesar de muitos serem surdos para a melodia, é raro alguém organizado de um modo tão grosseiro que não consiga ouvir o ritmo de seu próprio coração em palavras movimentos e música. É por ela nos ser assim tão inata que não podemos jamais silenciar a música, como não podemos impedir nosso coração de bater; e é também por essa razão que a música é tão universal e tem o estranho e ilimitado poder de uma força natural. (“Músicos de rua”. Tradução: Leonardo Fróes).

Os dez livros que TODOS devem ler

Lista feita a partir de uma proposta nas redes sociais

Não são exatamente meus favoritos, porque não é o propósito da lista, e creio que ainda precisamos desenvolver nosso Pequeno Cânone de Obras para Apaixonarem os Jovens pela Leitura. Bem, o que todos devemos ler? Comece pelo Eclesiastes (1) e pelo ensaio Sobre como filosofar é aprender a morrer, de Montaigne (2), e descubra o que vai lhe acontecer uma dia, sem necessariamente se desesperar. Depois entenda sobre ciência e artes com os livros mais acessíveis, Uma breve história de quase tudo, de Bill Bryson (3) e História da Arte, de Gombrich (4). A base da literatura é Homero, de quem indico A Odisseia (5), que requer A Ilíada como leitura anterior. Apesar de gostar mais de Macbeth, uma peça ainda mais essencial de Shakespeare é Hamlet (6), escritor que realmente interessa a qualquer pessoa. O melhor romance de todos os tempos é Em busca do tempo perdido, de Proust (7), magnífico mosaico da belle epoque que resume e continua a história da civilização. O melhor romance brasileiro é Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa (8), uma travessia pela nossa alma, e nosso livro mais profundo e bem escrito creio ser Os Sertões, de Euclides da Cunha (9), que todos dizem ler sem ter lido. Mas de nada adianta tentar ler esses livros se você não for capaz de degustar algo como Os Três Mosqueteiros ou O Conde de Monte Cristo, de Dumas (10), substâncias altamente viciantes.

Outras listas:
Vinte livros de ensaios imperdíveis
Off-10 – os livros desconhecidos que eu mais gosto