Os objetos, o mundo, o tempo, as pessoas

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A manipulação do tempo, nas artes, e mesmo em produções puramente técnicas, é uma habilidade que se desenvolve gradualmente. A fluidez dos objetos resultantes, inclusive os de percepção imediata, como as pinturas, é variável. Uma obra que se abstrai com velocidade necessita de um longo tempo de maturação para poder ser criada, na maioria das vezes. Um segundo no mundo, como o recortado na Vista de Delft de Vermeer, por outro lado, pode ser prolongando por páginas e páginas, por muitos minutos, como naquele trecho marcante de Em Busca do Tempo Perdido, que se apoia nessa pintura. O livro A Lebre com Olhos de Âmbar, publicado primeiramente em 2010, na Inglaterra, concentra em meras 318 páginas (na edição brasileira) os anos em que ele pesquisou o percurso de uma herança recebida, mais os séculos que rodeiam a história dos pequenos objetos em si.

Após a morte de seu tio-avô Ignace Ephrussi, no ano de 1994, o ceramista inglês Edmund de Waal ganha uma rara coleção com 264 netsuquês, que ele sempre via expostos numa vitrine, ao visitá-lo em seu apartamento em Tóquio. Trata-se de singelas e pequeninas esculturas feitas em madeira, castanha e marfim, produzidas por entalhadores japoneses com extremo cuidado e delicadeza, “uma pequena e tenaz explosão de exatidão”. Geralmente representam animais, como a lebre que nomeia o livro, além de ratos, macacos, tigres, sapos, e até pessoas.

Waal já havia estudado arte no Japão, e frequentemente dialogava com seu tio-avô, a quem sempre se refere carinhosamente como “Iggy”. Por isso sabia que a coleção havia passado pela Paris da belle époque, pela Viena das duas guerras mundiais, chegando à Tóquio contemporânea, e, até aquele momento, à Inglaterra, para suas próprias estantes. Entretanto, num jantar, ao conversar sobre isso com um grupo de especialistas, se angustia com a inconsistência de suas informações e libera alguns meses em sua agenda para visitar essas cidades à procura da história de sua coleção.

Antes mesmo de começar a sua narração, Waal apresenta a árvore genealógica de sua família, os Ephrussi, cujo primeiro nascimento data de 1793 e o último em 2002. Entre seus antepassados estão de célebres mercadores e banqueiros europeus, que mantinham relações com os Rothschild, e uma figura central na comunidade artística parisiense, Charles Ephrussi, que serviu de inspiração ao Swann de Proust.

Charles foi quem adquirira a coleção de netsuquês num bazar oriental, e os deixou a Viktor, que vivia num palácio na Ringstrasse, em Viena. As miniaturas passam então por vários herdeiros, até que são perdidas na Segunda Guerra Mundial, quando os Ephrussi, judeus, se veem obrigados a fugir sem qualquer de suas posses. Finda a guerra, anos depois, os netsuquês são encontrados protegidos por uma empregada alemã, que os salvara dos saques sistemáticos realizados pelos nazistas, e vão parar nas mãos de Iggy.

O livro de Waal se assemelha, de certo modo, às ficções do alemão W. G. Sebald, e ao Na Patagônia, de seu conterrâneo Bruce Chatwin, que, por sinal, é mencionado por ele. Todos eles tratam de buscas, de pesquisas, em que a História se confunde com as biografias, com as narrativas dos mapas, dos segredos livres de intenções, dos objetos que convivem entremeados. As semelhanças com Sebald esbarram no caráter ficcional das obras do alemão. Já no caso de Chatwin, apesar de ambientado em um local completamente diferente, ele também começou sua viagem para descobrir como um objeto de um lugar distante veio parar em sua vitrine. Na Patagônia é uma não ficção sobre sua busca pela origem do pedaço de pele de milodonte com que o autor sempre conviveu, na Inglaterra, sem saber o motivo de estar lá. Mas enquanto ele concentra seu livro na grande viagem, o foco de Edmund de Waal está na grande pesquisa.

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Assim como a preparação de seus potes em cerâmica exige esmero, técnica e paciência nipônica, Waal reconstrói a história de sua busca lentamente, intercalando-a com suas descobertas, leituras, viagens, conversas, hesitações. Em certos momentos ele admite estar diante de tantas informações que não sabe quais comentar; tantas dúvidas, que não sabe quais perseguir. Pilhas de livros e documentos se acumulam em sua oficina; novos detalhes são apresentados por seu pai, por tios, ou por Jiro, o companheiro de Iggy; outros destinos são marcados em seu itinerário. Sua pesquisa se prolonga por mais de dois anos. Ele afirma temer encontrar mais envelopes surpreendentes, que mudassem o rumo de suas investigações.

Mas ainda que seja a condensação de um gigantesco objeto de estudo, o livro se permite momentos de distração. Ele divaga sobre seus passeios e pensamentos, apresenta citações de romances e imagens de jornais, panfletos, cartões, fotos de família;  conta anedotas, como a de sua entrada em Odessa com seu irmão que não se preocupava com vistos, ou de uma ocasião em Viena em que é importunado por um homem barbudo com três casacos e uma balaclava.

Detalhes como esses, que pouco acrescentam à história da sua pesquisa, propriamente, são importantes para a narrativa, pois desafoga o leitor do oceano de informações que o livro oferece, e delineia a personalidade de seu escritor. Assim como os ensaios de Montaigne, o estudo de Edmund de Waal é, também, sobre ele próprio.

Após se dedicar por meses a seus potes de cerâmica, Waal é condenado a vê-los desaparecer de sua oficina, para destinos e mãos estranhas. Talvez por isso ele não romantize a sua atividade, forçando simbolismos e complexidade onde não são necessários. Waal percebe, enfim, que o importante é construir histórias em torno das coisas, conviver com elas; e que ele é apenas mais um entre os vários possuidores da bela coleção de miniaturas japonesas, que certamente passarão a outros donos. No entanto, aproveita a possibilidade de manter os pequenos objetos entre seus dedos, de tocá-los, senti-los, de desfrutar deste pequeno prazer táctil enquanto ainda os possui. O objeto resultante de sua maturação, A Lebre com Olhos de Âmbar, além de uma ode à pesquisa, é uma bela reflexão sobre a posse e a relação entre as coisas, o mundo, o tempo e as pessoas.

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Como Fugir do Clichê

Não sou bem um leitor de livros de auto-ajuda pra sair de cara falando deles, mas se na lista de atitudes a serem tomadas para fazer amigos (ou encontrar o seu amor eterno) não estiver incluso algo como “procure uma afinidade em comum”, há algo de errado com esses escritores. Para quem cresceu no interior, como eu, numa época sem internet, o que havia de comum eram os desenhos animados, o cinema, o futebol, os games. Ao crescer, me surgiram o rock, o cinema cult, as HQs independentes, e eram poucos os que compartilhavam estas afinidades por lá.

Por isso, num primeiro momento, fiquei encantado com a quantidade de pessoas interessantes da capital. Roqueiros, nerds, estrangeiros. Mas veja só, já tive por demais conversas de apresentação you-are-what-you-like parecidas, fundamentadas no name-droping, para perceber que, primeiro, muita gente diz gostar de certas coisas por puro exibicionismo e, segundo, que a maioria tem personalidades pré-fabricadas. Podia vir a Johansson me dizendo que gosta de Sebald, Jimmy Corrigan e The Night Of The Hunter, e eu evitaria uma conversa mais longa, antes de conferir na internet.

Acho muito chato ver duas pessoas da minha idade se conhecendo e falando algo como “uau, você também jogou o Sonic do Master?”. Bah, todos nós fizemos isso, como vocês já deviam ter percebido, depois de 26 anos. Devido a uma poderosa indústria cultural de massa, parte de nossa formação é homogênea, de modo que não é tão extraordinário descobrir afinidades numa pessoa que cresceu de modo parecido, mesmo que bem longe. Há coisas que todos fizeram. Por isso os diálogos sagazes de Apenas o Fim, de Matheus Souza, talvez não façam sentido para quem não acompanhou a mesma formação; tantos os mais velhos quanto os mais jovens, antenados à suas próprias épocas, se perderão em suas referências datadas. Uma coisa é o Woody Allen fazer piadas sobre Dostoiévski e Groucho Marx, outra é o personagem de Matheus falar do Omelete ou de um show da Britney no Rio. Cada geração com seus motivos e referências.

Mas persistem certos padrões entre os adolescentes, desde meu tempo. Aquela velha história de ser diferente, de impor suas opiniões, o rebelde, o suicida, blusa de banda, multiplex, Sandman, mimimi. Por isso, o que menos me interessou na história de Vinicius Gageiro Marques, que li essa semana, foi o suicídio ajudado por internautas. No meu tempo todo mundo era assim. Além de que, ó meu deus, se tratava de mais um artista!

Nutro um preconceito cada vez mais fundamentado contra adolescentes que se dizem artistas, principalmente aqueles cujas obras são editadas pelos próprios pais. Mas o Vinícius, ou Yoñlu, me pareceu diferente. Apesar da capa horrorosa que fizeram para seu disco póstumo, um verdadeiro tiro no pé, as fotos e desenhos do garoto, claramente inspiradas na estética do Radiohead, tinham uma qualidade incomum. E me chamou a atenção foi uma frase sem erros ortográficos, sem banalidades, sem falsas autorias. “Eu acredito que a cadência e a harmonia certas no momento certo podem despertar qualquer sentimento, inclusive o da felicidade nos momentos mais sombrios”. Oras, esse é meu critério de desempate, antes de decidir entre abrir ou não um link que me surge. Tenho um preconceito com músicos, cineastas e artistas visuais que conseguem escrever uma frase sem dificuldades: sempre acho que serão bons.

Abri Humiliation enquanto lia o texto. A pegada melancólica me lembrou o Elliot Smith (outro suicida, por sinal). A letra também tem seus achados como [It’s time to shrink/To be smaller than a grain of salt to do at sea]. Penso que ele conseguiu transmitir com suas canções aquela nota de tristeza inerente a todos os momentos. Parecia lidar melhor com o inglês que com o português, ao escrever seus versos.

Não gostei tanto da letra de Mecânica Celeste Aplicada, em comparação com o que ouvira antes. Faltou a naturalidade das outras. Talvez fosse devido a sua formação sólida no cancioneiro pop de língua inglesa. Descubro que ele também era fluente em francês e galês, que escrevia crítica musical em sites estrangeiros e que, devido à sua rede de contatos online, teve uma canção tocada em pubs de Londres. Era com facilidade o artista cosmopolita que muitos forçam a barra para ser e não conseguem.

Sua canção mais ambiciosa, The boy and the Tiger, que só ouvi depois, é revolucionário dentro de sua própria obra. Primeiro, mostra que ele também tinha conhecimento do cancioneiro nacional (li depois que ele era fã da Bossa Nova). Em sua forma, me lembra outras canções-colagens, como Revolution #9 e Paranoid Android, que ele admirava, ou as coisas do Bill Holt, que não sei se ele conhecia. Cita Beatles, recria Geraldo Vandré, enfia no meio comentários de gravação, sons de animais, chiados, umas dissonâncias, umas desafinadas, música eletrônica, uma backward message (tradição do próprio rock) e o discurso de Caetano, feito num festival de 1968. Mas acima de tudo é agradável aos ouvidos.

Não há o que discutir sobre Vinicius; seu legado é evidente. Nada como a honestidade aliada à técnica, à coragem, e ao talento, para destruir um clichê. Pena que não há mais frutos a se esperar de uma árvore tão bem cultivada.

A Vida como Cinema

Eu conversava estes dias sobre as trilhas sonoras diegéticas – as que têm sua fonte conhecida em tela (um iPod, um radinho, um cara com um instrumento, uma banda, uma orquestra) e os personagens também a estão ouvindo – e a naturalidade que isto traz. Alex Ross fala destas décadas em que estamos soterrados de música. Foi inesquecível para mim, adolescente tabaréu, quando, após três dias no meio do mato, escutei Guns ‘n Roses num boteco dos grotões da Bahia. Pensei: “esses caras são famosos de verdade!”. Qualquer trilha ficaria natural em muitíssimos cenários do mundo, nos filmes que se passam em nossos dias.

Esta onipresença musical às vezes me traz desconforto, quando, por exemplo, sou obrigado a ouvir canções que não gosto, no ônibus, vindas das telas, rádios ou celulares alheios. Por outro lado, como é bom descobrir uma bela canção, por estar passando na rua na hora certa! Há o novo desconforto, o de se tentar descobrir que música é; tentar anotar trechos da letra, perguntar para alguém, tentar reconhecer a voz e o estilo. Dá medo pensar que provavelmente jamais ouvirei certas canções mais uma vez – canções cujas lembranças me são meras imagens distantes. Me pergunto o que as pessoas faziam antes do Google, e a resposta é automática, pois eu mesmo vivi este tempo: conversava ou se perdia.

Outra coisa que se faz cada vez mais presentes em nossas vidas, e essa observação é muito óbvia, é a captura de imagens. Todo mundo tem sua camerazinha no bolso, e o Youtube é o Grande Irmão dos nossos tempos. Aquele que atirar a primeira pedra será filmado e condenado. Por outro lado, há tanta gente tirando fotos, filmando, editando imagens, que penso que, eventualmente, como na Biblioteca de Babel ou no Teorema do Macaco Infinito,  haverá de surgir no meio disso tudo uma obra-prima, completamente por acaso (seguindo a mesma lógica, inventaram um negócio de mandar para a Globo a própria imagem no estádio, prevendo um gol; nem posso imaginar a astronômica quantidade de vídeos deletados após as partidas de futebol).

Enquanto estas obras vão sendo divulgadas clique a clique, outros resolveram brincar com a própria onipresença da câmera. O Lucas Otero fez um belo vídeo no velho esquema a-vida-em-um-minuto só com fotos do Instagram. E a estética da filmagem caseira domina: o OK GO, banda que ficou famosa no youtube, começou assim, e com o sucesso, já pode fazer clipes assim. De acordo com esse texto, os produtores da Lana del Rey inventaram este clipe meticulosamente casual, mas não é de hoje que os diretores de filmes de grande orçamento inseriam uma ou outra cena numa câmera caseira, para dar realismo. A mais inesquecível para mim é a de Sinais, apesar da grosseria inerente (por que o guri fala em dois idiomas, meu deus?).

O mais criativo de tudo, no entanto, foi a possibilidade de fazer longas inteiros com câmeras diegéticas, que interagem diretamente com os personagens, como com as trilhas sonoras. Já vi dois assim, ambos de temática adolescente, com tratamento de roteiro, montagem e fotografia impecáveis, para seus propósitos. Project X , em parte baseado numa história de um sujeito australiano, é sobre uma festa que atinge proporções bélicas, e Chronicle é, talvez, a única história de super-heróis realista ao pé da letra.

Esta ideia obrigou os realizadores de ambos os filmes a se virar de maneira criativa para que os filmes não ficassem modorrentos, o que era um risco fácil. A mania mundial de se filmar tudo é usada em favor da narrativa, como uma nova técnica.  Filmadoras amadoras passam de mão em mão (ou voam), alternando-se com  câmeras de celulares, de segurança, laptops  e, finalmente, as das redes de televisão. Ambos foram realizados por pessoas de minha geração, e creio que estes são só os primeiros passos.

Coisas que ninguém me contou

Stuff no one told me, cartuns do catalão Alex Noriega.

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Trabalhe tão devagar quanto puder, mas finja que é impossível trabalhar mais rápido.

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É bom ter grandes esperanças e expectativas, mas mantenha a lógica.

– Quero ser o próximo Michael Jackson.

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Quando a maioria dos bares da cidade estiverem mais limpos que sua casa, está na hora de limpar…

Ou ir pros bares.
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Marca nenhuma é sua amiga.

Minimalismo Pop

Em 2009, escrevi um texto falando de minhas restrições de gosto e de minha visão das artes em geral, de modo a criticar a presepada que é boa parte da arte contemporânea. De lá pra cá, minha opinião se mantêm, reforçada por obras como A Grande Feira, Exit Through the Gift Shop, ou textos como esse.

Vejo “criadores” reclamando, por exemplo, da falta de um público amplo, de financiamento, de visibilidade e de uma crítica decente, sendo que lhes faltam obras que fluem, o que é primordial. O artista deve ser reconhecido por suas obras realizadas, acima de suas intenções. Seu mero desejo de fazer algo importante não quer dizer nada ao sujeito inocente que fica cinco segundos observando um pretensioso emaranhado de cimento e ferro, até perceber que não lhe diz nada e seguir sua vida.

Penso que os maiores exageros estejam mesmo nas ditas artes visuais, devido à facilidade de tornar seu embuste aceitável. Veja, um sujeito que tencione apresentar sua música modernosa deve saber escrever partitura ou utilizar um instrumento (incluindo a voz ou o PC); o escritor, o faz com o idioma; o cineasta precisa de uma câmera. Obviamente, a música, a literatura e o cinema não geram obras-primas aos jorros; muito raramente até. Mas ao menos sua produção em geral é compreensível; se não alimenta, diverte seu público, e o que apresentam de intragável é ínfimo, se comparados com a produção de artes visuais (que inclui também os vídeos de arte, filmagens destinadas não à sala de cinema, mas aos museus, salões e galerias).

O artista contemporâneo às vezes não domina técnica nenhuma, sequer uma teoria, mas não tem vergonha de sair pra cima e pra baixo num vestido de noiva, ou de colocar trocentos tomates para apodrecer numa mesa, e é celebrado por seus pares, como se tivessem pintado A Noite Estrelada, ou esculpido O Beijo (e como se imitar Duchamp, mais uma vez, após tantas décadas, fosse novidade).

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Não vou mais fundo. Para não dar uma de crítico amargurado, digo que fiquei mais tolerante de 2009 pra cá, especialmente no que se refere à música, e algumas formas de arte pictórica, como o minimalismo, que também exerceu sua influencia na música e na literatura, de formas diferentes.

Na década de 60, os pintores e escultores minimalistas pretendiam romper com a “arte cartesiana europeia” da forma mais extrema e completa: eliminando a forma e os conceitos por trás dela. Perceberam que a única maneira de fazer isso seria fazer o mínimo; e realizaram obras como Branco sobre brancoPreto sobre pretoBranco sobre preto, esse tipo de coisa, como se fossem o que havia de mais sofisticado e original do mundo. Ah, como era besta o minimalismo!

De qualquer forma, não deixava de ser uma técnica nova, e eis que a geração da internet apareceu com tudo, a trazendo de volta, mas com uma diferença: a técnica é usada para parodiar ou referenciar elementos ou obras da cultura pop, geralmente com mais traços que anteriormente.

É sucesso de público.

O minimalismo só fez sentido desvirtuado de seu conceito original, o de se desligar das influências externas; essa quebra com sua própria tradição foi mais interessante que a ruptura que os primeiros artistas da corrente pretendiam realizar. Como apresentado pelos artistas visuais que o fundaram, o minimalismo se baseia num conceito frágil, da ruptura a qualquer custo.

Penso que estas novas obras não alimentam, mas acho bem divertido.

             

Uma história das Copas e São Paulo X Rio, inspirada na série Paris X NY. Ia botar outras, só que minha internet anda lerda demais.

Olhar em todas as direções

Num de seus textos para a New Yorker, o crítico Alex Ross divide os mundos do rock, da música erudita, e do jazz em continentes diferentes, separados por oceanos, com elos na música experimental. A mesma comparação pode ser feita em relação à arte contemporânea baiana. Há também um oceano, para além do mundo das artes, que separa a Bahia soteropolitana das outras cidades. Este é um dos maiores estados do país, mas quando se fala em “Bahia”, geralmente se pensa na cultura de Salvador, apenas em uma parte dela, na verdade, como representação de um todo.

Obviamente, não é preciso pesquisar muito para descobrir que vários dos nomes baianos que conquistaram o mundo são do interior. João Gilberto, de Juazeiro; Elomar e Glauber Rocha, de Vitória da Conquista; Tom Zé, de Irará; Jorge Amado, de Itabuna. Salvador teve, de fato, grande importância na formação de todos eles; só vieram a ser tornar célebres depois de passar pela capital. A questão é que há grandes artistas produzindo no interior, e sua arte é ignorada quando se ultrapassa os limites de suas cidades.

Os poetas, prosadores, pintores, atores, cineastas e, majoritariamente, músicos, quase sempre de filiação clássica, ou ao menos tradicional, existem aos montes, estrada adentro. É bem verdade que não se trata de um mutirão de gênios injustiçados, ou de grandes mestres, em sua maioria, mas a questão é que a arte produzida por muitos deles merece tanta ou mais atenção quanto certas “obras” recebem na capital, e, consequentemente, no resto do país, na mídia, no mundo.

Tudo isto é só para falar que está acontecendo um Salão de Artes Visuais da Bahia aqui em Irecê, mas senti falta de certos artistas plásticos da região. Posto aqui alguns de meus favoritos, ressaltando que ignoro se todos tentaram participar da exposição.

Antônio Carneiro

Fernando Queiroz

Pedro Lima

Roger Lima

Nailce Barreto

Há outros ainda, que não encontrei fotos para postar, ou ainda os nomes que que participaram da exposição. Os comentários estão abertos à sugestão de mais artistas.

P.S. Como não pedi autorização para postar estas imagens, as retirarei, se assim for desejado por seus autores.