Lista de ensaios online – Mostrar e contar

Acabo de ministrar um curso de não ficção chamado Mostrar e contar. Abaixo uma lista de ensaios que montei para os alunos, acompanhada de um breve comentário. Outras listas minhas, aqui

Olá. Segue uma lista de ensaios disponíveis online, uma lista de certa forma aleatória, pois meu único critério é que me tenham sido marcantes de alguma maneira. A ideia é que, partindo destes, vocês também busquem outros, que montem suas próprias listas – claro que há vários outros disponíveis no site da Serrote, na Piauí, em sites que nem conheço, nesta há apenas uma amostra. Dei preferência a ensaios em português, mas também incluí alguns links em inglês. Não li todos da Zazie ou da Quotidiana, mas por questões de praticidade mandei logo as páginas inteiras. Incluí também alguns ensaios que escrevi, editei ou traduzi. A lista é longa, mas a ideia é que não seja vertiginosa – em vez de “ensaios obrigatórios que vocês devem ler antes de morrer”, encarem como um cardápio com opções variadas: se guiem pela própria curiosidade e se deixem fisgar (ou não) por eles. Espero que gostem. P.

SOBRE ENSAIOS
A pequena arte do grande ensaio – Daniel Piza
Sobre os ensaístas de periódico – William Hazlitt
O ensaio e sua prosa – Max Bense
O ensaio como forma – Theodor Adorno
A ensaificação de tudo – Christy Wampole
Portrait of the essay as a warm body – Cynthia Ozick – (Original de “Retrato do ensaio como corpo de mulher”)
The ill-defined plot – John Jeremiah Sullivan (Original de “Essai, essay, ensaio”)

CLÁSSICOS
Dos canibais – Michel de Montaigne
Modesta proposta – Jonathan Swift
Matar um elefante – George Orwell
Quotidiana

SERROTE
A sociedade como campo de batalha – Guilherme Freitas
A ideia de um mundo sem fronteiras – Achille Mbembe
Trangressão à direita – Daniel Salgado
Um álibi para o autoritarismo – Moira Weigel
Esse cabelo – Djaimilia Pereira de Almeida
A voz de Lula – Tales Ab-Saber
Serrotinhas (todas as edições marcadas com “½” estão disponíveis na íntegra)

PIAUÍ
Duas meninas – Lorenzo Mammì
Pense na lagosta – David Foster Wallace
Let it go – Leandro Sarmatz
A mãe de todas as perguntas – Rebecca Solnit
A coceira – Atul Gawande
O que é fascismo – George Orwell

BARRIL
Elogio ao hobby – Igor de Albuquerque
A águia raspando o bico – Charlles Campos
O coveiro de tudo – Juliano Dourado
A crítica da razão pura de bar – Daniel Guerra

ZAZIE EDIÇÕES
Pequena biblioteca de ensaio

DICTA & CONTRADICTA
Sobre o vício e a virtude – Plutarco
O primeiro discurso – Samuel Johnson
Da fama de Horácio entre os antigos – Giacomo Leopardi

BLOG DO IMS
O meme, o soneto e o escorbuto – Victor Heringer
Nós, pessoas em silêncio – Carla Rodrigues
A arte de falar mal – Paulo Roberto Pires

MEUS
Blog do IMS
Barril
A declarar nada
Lista de livros de ensaios (I)
Lista de livros de ensaios (II)
Tradução de A morte da mariposa – Virginia Woolf
Tradução de Sobre correr atrás de chapéus – G. K. Chesterton

Lista de livros de mulheres contemporâneas para Fabrício

Um amigo meu vai ter uma filha, e disse que até lá só vai ler livros escritos por mulheres. Eu lhe prometi uma lista, coisa que geralmente não nego, nem entrego. Há uns anos, houve certa polêmica com uma lista de cem escritores contemporâneos que incluía apenas uma meia dúzia de mulheres, algo assim; Harper Lee ainda estava viva, eu tinha acabado de ler Os luminares, e na época acabei anotando num caderninho uma lista com minhas contemporâneas favoritas. Como este blog está às moscas, agora atualizei essa lista, incluí umas escritoras mortas faz pouco tempo e escrevi umas duas linhas sobre cada livro. Comparando minhas leituras com as listas de outras pessoas, percebi que essa é uma grande deficiência intelectual minha. Nunca li nada de Atwood, Noemi Jaffe ou de Selva Almada. Falta muita coisa – fora que tenho lido contos, poemas, artigos, ensaios geniais de contemporâneas de quem não li livros inteiros, como Rebecca Solnit, Ursula K. Le Guin, Angélica Freitas, Zadie Smith. Alguns poderão questionar a validade de uma lista como esta, capenga, ainda mais feita por um homem; mas dificilmente poderão questionar a qualidade das obras aqui listadas. Enfim, trata-se apenas de uma visão pessoal de um leitor curioso. Quem desejar uma lista mais completa, feita pelas próprias mulheres, confira esta, a melhor que já vi.

 

Os luminares – Eleanor Catton

Um homem por acaso entra num salão de um hotel em que está havendo uma reunião com doze pessoas, e se envolve num mistério. Esse romance histórico-policial passado na Nova Zelândia segue algumas regras à Oulipo: cada capítulo tem a metade do tamanho do anterior, e os personagens são associados aos signos. É um tijolo, mas flui tão bem que dá pra ler em alguns dias.

As pequenas virtudes – Natalia Ginzburg

Formidáveis ensaios pessoais de Ginzburg sobre, entre outras coisas, Pavese, a guerra, a Inglaterra, sapatos e a criação de crianças. O ensaio-título é um daqueles textos que mudam a vida do leitor.

A arte do descaso – Cristina Tardáguila

Em 2006, quatro homens roubaram um Dalí, um Monet, um Matisse e dois Picassos num museu do Rio de Janeiro. O que começa como uma reportagem investigativa, termina como uma denúncia do descaso geral de nossos museus. Lembra alguma notícia recente?

Ex-libris: confissões de uma leitora comum  – Anne Fadiman

Ensaios sobre o amor aos livros. Um de meus livros favoritos, já escrevi sobre ele aqui também.

 

Longitude: A verdadeira história do gênio solitário que resolveu o maior problema científico do século XVIII – Dava Sobel

Deliciosa narrativa de não ficção sobre o cientista John Harrison e a invenção do cronômetro.

A amiga genial – Elena Ferrante

Não é, mas leio a obra de Ferrante como se fosse terror. Todas as minhas amigas a quem emprestei/indiquei o livro disseram que ele consegue transmitir exatamente o que elas sentem. E acho horripilante…

A história secreta – Donna Tartt

Romance policial viciante sobre uma turma de estudantes de grego que comete um crime. Sabemos na primeira página quem fez o quê; depois descobrimos como.

O jornalista e o assassino – Janet Malcolm

Após escrever um livro-reportagem sobre um sujeito condenado por assassinar a própria família, um jornalista é processado pelo assassino – Malcolm, por sua vez, acompanha esse processo para demonstrar como o jornalismo é uma “profissão moralmente indefensável”.

 

O louco de palestra – Vanessa Bárbara

A crônica que empresta o título ao volume é um clássico contemporâneo. Mas também estão lá “o popular exaltado”, “o sem-carro”, o Mandaqui, e a divertida obsessão de Bárbara por ônibus e hortaliças.

Coisas que perdemos no fogo – Mariana Enriquez

Mulheres que protestam tocando fogo em si mesmas, pessoas torturadas por traficantes, rituais, fantasmas que surgem num rio, a pobreza, os resquícios da ditadura. Impecáveis contos de horror relacionados com a política e a sociedade argentina.

Johnathan Strange & Mr. Norrell – Suzanna Clarke

Copio o comentário que fiz aqui há uns anos: “Inglaterra. Guerras napoleônicas. Dois mundos se unem. Um velho ranzinza e um alegre jovem conseguem realizar atos mágicos, o que será útil ao país. Com grande influência de Neil Gaiman, Clarke consegue superá-lo, nessa mistura de romance histórico com fantasia e aventura, escrito num estilo que remete aos escritores vitorianos.”

O talentoso Ripley – Patricia Highsmith

Um dos três melhores livros sobre pessoas viajando e contando mentiras.

 

O sol é para todos – Harper Lee

Clássico romance sobre um advogado que defende um negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos. Li numa viagem de alguns dias de ônibus, e à noite era obrigado a ler com a lanterna do celular. Não por acaso é best-seller desde o lançamento.

Poemas – Wislawa Szymborska

A polonesa, que ganhou o Nobel de Literatura em 1995, faz aquele tipo de poesia de simples compreensão, mas bem profunda, que sempre acerta no rim.

A morte do gourmet – Muriel Barbery

Novela polifônica narrada pelo ponto de vista das pessoas do convívio de um crítico de gastronomia (entre elas uma mendiga e uma estatueta). Eis as melhores descrições de comida que já li.

Outras listas

Os Sem-Boca, a Bandeira da Síria

É tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, tanta ideia misturada, que às vezes me perco e me esqueço de divulgar aqui.

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Ilustração: Amine Barbuda

Finalmente saiu a nova edição da Revista Barril, da qual agora sou editor de literatura, além de continuar como colaborador. Nessa edição, publiquei a tradução de um conto atordoante do francês Marcel Schwob, Os Sem-Boca. Nem preciso dizer para conferir os outros textos da revista, que está linda. Caso queira conferir o que já publiquei lá antes, é só clicar neste link.

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Poucos dias depois, saiu meu último ensaio no Blog do IMS, A Bandeira da Síria em seu Perfil, Dessa vez escrevo sobre a guerra disfarçada do Brasil, e sobre como nossa resistência caótica não dará conta de freá-la se assim continuar. Confiram também os outros ensaios que publiquei lá.

Somos todos críticos

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Em meu último texto para o Blog do IMS, Somos todos críticos, eu catalogo algumas das diversas formas de feedback, do elogio de mãe ao insulto gratuito.

Antes, já havia publicado o ensaio Declínio e queda do esprit d’escalier, sobre línguas ferinas, enfants terribles, ideologias perigosas, escritores arrependidos, redes sociais, assassinato, e Atravessar a rua com o sinal fechado, sobre a “calistenia anarquista”, a desobedicência civil, e o jeitinho brasileiro.

 

O vazio, o Satanás, o esprit d’escalier

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Publiquei umas coisas nas últimas semanas, mas andei ocupado demais pra divulgar por aqui. A revista Barril, de Salvador, republicou o texto mais legal que já escrevi neste blog, o ensaio A declarar nada, sobre a linguagem empolada, os textos vazios, o que caracteriza os discursos que, por excesso, acabam por não dizerem muita coisa. Antes, já saiu lá O direito de interpretar Hamlet, em que contraponho Aziz Ansari e Javier Marías para discutir as ansiedades da representação cênica diante das indagações relacionadas à apropriação cultural, e ano passado saiu A visão personalíssima do clássico, sobre encenações pós-modernas de peças clássicas. Nem preciso sugerir que confiram a revista toda; sempre tem muita coisa foda lá.

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Pouco depois, o brasiliense Danilão, o cara mais legal do Facebook, me convidou para escrever na lindíssima Revista Seca. Mandei uma série de notas estranhas com as quais estava trabalhando na época, para um curso de escrita com Paloma Vidal. Em Plurais, mudanças, objetos essenciais, falo sobre a primeira pessoal do plural num ensaio de Virginia Woolf, apresento minha versão do Satanás e discorro sobre minhas mudanças e os objetos realmente essenciais.

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Por fim, semana passada saiu um ensaio que fiz para o Blog do IMS, Declínio e queda do esprit d’escalier, o texto que me deu mais trabalho pra escrever este ano, e também meu favorito. Entre um monte de coisas, cito um ex-presidente, parodio uma hashtag famosa e evoco Laranja Mecânica ao discorrer sobre línguas ferinas, enfants terribles, ideologias perigosas, escritores arrependidos, redes sociais, assassinato. Quem quiser, pode também conferir o primeiro texto que publiquei lá, há alguns meses, Atravessar a rua com o sinal fechado, sobre a “calistenia anarquista”, desobedicência civil, e o jeitinho brasileiro.